Inteligência emocional, profissionalismo e sororidade guiam a nova liderança feminina

23 de outubro de 2025

Durante o painel: “Todas: Conectando Mulheres”, especialistas do agro destacam a importância desses três pilares para o crescimento na carreira e a promoção de um ambiente de trabalho mais igualitário 

O painel “Todas: Conectando Mulheres”, promovido no dia 22 de outubro, mostrou que o avanço da representatividade feminina no agro é resultado de um movimento sólido e crescente. A mesa-redonda reuniu lideranças de diferentes segmentos do setor para discutir o papel, os desafios e as conquistas das mulheres no campo. 

A moderação ficou a cargo da diretora-executiva do Canal Rural, Jaqueline Silva, que destacou a importância da representatividade feminina no agro e o avanço do setor nesse tema. 

“Estar no palco com mulheres tão potentes é uma oportunidade de conversar e aprender. Há quatro anos, vim a este congresso e vi a força desse movimento. A cada edição, o Canal Rural se posiciona melhor, porque posicionar a mulher no agronegócio é conduzir o setor para o futuro”, realçou. 

Para Jaqueline, dar visibilidade ao trabalho feminino é um dos pilares da transformação na atividade. “O que fazemos é dar voz e mostrar o que vocês estão realizando no campo. Nesse painel, vamos tratar de temas essenciais como inteligência emocional, profissionalização e sororidade — pilares fundamentais para nossas carreiras”, destacou. 

Segundo ela, a mulher é a voz do agronegócio fora da porteira e tem sido cada vez mais responsável por comunicar e representar o setor para a sociedade. 

Lideranças femininas compartilham trajetórias e desafios 

Durante a mesa-redonda, a presidente do Movimento Agroligadas, Geni Schenkel, reforçou a importância da sororidade e da união entre mulheres. “O grupo nasceu sem distinções — o que nos une é o desejo de crescer juntas. Quando percebemos que outras mulheres enfrentam desafios semelhantes, entendemos a importância de dar as mãos. Liderar é criar oportunidades para que mais mulheres falem e se posicionem”, disse. 

Ao trazer outro recorte importante do universo feminino, a presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp, Juliana Farah, ressaltou o impacto da autoestima no desenvolvimento pessoal e profissional. “Podemos ter ferramentas e conhecimento, mas sem acreditar em nós mesmas, nada acontece. As Semeadoras nasceram com a missão de fortalecer a autoestima de milhares de mulheres no Estado de São Paulo. Quando elas se reconhecem como protagonistas, o patrimônio da família e do setor cresce junto”, afirmou. 

Integrando o debate, a presidente da Comissão das Mulheres da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Lúcia Bortolozzo, trouxe uma reflexão sobre autoconfiança e capacitação. “Mesmo quando chegamos a cargos de liderança, ainda nos sabotamos. Esse sentimento de insegurança é algo que precisamos enfrentar com preparo e consciência. Por isso, nosso propósito é formar mulheres seguras e capacitadas para levar o agro brasileiro às mesas internacionais”, ressaltou. 

Na sequência, a presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA), Maria Antonieta Guazzelli, reforçou o papel do apoio emocional e da troca de experiências. “Muitas mulheres ainda duvidam de si mesmas. Ao longo de 15 anos, o NFA tem mostrado que é possível inverter esse cenário. A função principal do nosso movimento é justamente essa: oferecer apoio, conhecimento técnico e mostrar que cada mulher pode, sim, liderar com confiança”, frisou. 

Encerrando o painel, Maria Iraclésia de Araújo, membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Rural de Maringá, compartilhou sua trajetória e a importância do equilíbrio emocional na gestão. “Participei de nove das dez edições do CNMA. Ao longo da minha jornada, aprendi que o controle emocional é tão importante quanto o conhecimento técnico. Nosso setor cresce por meio das decisões que tomamos — e precisamos de equilíbrio para seguir adiante, um dia de cada vez”, concluiu.