Painel sobre proteína animal destacou como a genética, o bem-estar animal e a comunicação transparente moldam o futuro do setor
O perfil do consumidor final mudou e atender às novas demandas é um desafio para o setor de alimentos. E para debater os principais caminhos para ter sucesso nesse contexto, o painel “Proteína Animal, da genética ao consumidor final – a revolução das percepções!” convidou representantes da cadeia produtiva para discutir estratégias de comunicação transparentes e educativas para a sociedade.
Promovida no segundo dia do CNMA, a mesa-redonda contou com a moderação da diretora de Marketing e Projetos da ABCS, Livia Machado, que destacou a importância de compreender o consumidor final e seus desejos, dores e dúvidas sobre as proteínas animais. Conforme enfatizou, vender é contar uma história — e essa história começa na genética, onde nasce a qualidade do alimento que chega à mesa das famílias.
Para falar sobre o papel da genética na produção, a supervisora de Serviços Genéticos da Agroceres, Natalia Irano, apresentou como a genética moderna tem revolucionado a suinocultura, tornando-a mais eficiente, ética e voltada ao consumidor.
Segundo ela, nos últimos dez anos o setor passou a incorporar novas características nos programas de seleção, como robustez, bem-estar animal e menor uso de antibióticos, garantindo animais mais saudáveis e produtivos. “O futuro da proteína animal depende da integração entre tecnologia, sustentabilidade e percepção do consumidor — uma revolução que começa na fazenda e termina na gôndola”, frisou.
Com foco no setor pecuário, a vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Ana Claudia Souza, ressaltou o papel histórico da entidade no melhoramento genético e na garantia de qualidade da carne brasileira. Com mais de 100 técnicos atuando junto aos pecuaristas, a ABCZ acompanha o desenvolvimento dos animais desde o nascimento até a chegada ao mercado, assegurando excelência em características como maciez, marmoreio e valor nutricional.
“Nosso compromisso é contínuo com as boas práticas e a sanidade, pilares que consolidam o Brasil como referência global na produção de carne”, salientou Ana Claudia.
A visão da indústria foi representada pela head de Agricultura Regenerativa da Nestlé, Barbara Sollero, que abordou os esforços da empresa em apoiar a transição dos produtores para sistemas mais sustentáveis e regenerativos. De acordo com ela, a Nestlé investe em projetos de descarbonização e suporte técnico nas fazendas, conectando o campo às metas climáticas globais.
“Junto a esse trabalho, precisamos combater a desinformações sobre o setor e promover um diálogo transparente para fortalecer a confiança do consumidor em relação às proteínas de origem animal”, destacou Barbara.
Ao trazer os avanços dos setores avícola e suinícola, a gerente de Promoção Comercial e Marketing da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Isis Sardella, ressaltou o protagonismo da cadeia produtiva brasileira, que mesmo diante de desafios sanitários, manteve sua posição como líder global em exportações.
De acordo com ela, em 2025 o consumo interno de proteínas segue em alta, impulsionado pela busca por alimentação saudável e pelo trabalho de promoção realizado por entidades como a ABCS e o Instituto Ovos Brasil. “Em paralelo, avançamos muito em rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade, fatores que elevam o padrão da produção nacional e garantem a confiança dos mercados mais exigentes”, compartilhou Isis.